quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Porque é que as músicas dizem sempre tanto ?



Quando o dia entardeceu

E o teu corpo tocou

Num recanto do meu

Uma dança acordou

E o sol apareceu

De gigante ficou

Num instante apagou

O sereno do céu




E a calma aguardar lugar em mim

O desejo a contar segundo o fim.

Foi um ar que te deu

E o teu canto mudou

E o teu corpo do meu

Uma trança arrancou

E o sangue arrefeceu

E o meu pé aterrou

Minha voz sussurrou

O meu sonho morreu





Dá-me mar, o meu rio, minha calçada.

Dá-me o quarto vazio da minha casa

Vou deixar-te no fio da tua fala.

Sobre a pele que há em mim

Tu não sabes nada.




Quando o amor se acabou

E o meu corpo esqueceu

O caminho onde andou

Nos recantos do teu

E o luar se apagou

E a noite emudeceu

O frio fundo do céu

Foi descendo e ficou.




Mas a mágoa não mora mais em mim

Já passou, desgastei

Para lá do fim

É preciso partir

É o preço do amor

Para voltar a viver

Já não sinto o sabor

A suor e pavor

Do teu colo a ferver

Do teu sangue de flor

Já não quero saber.



Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada.

O quarto vazio na madrugada

Vou deixar-te no frio da tua fala.

Na vertigem da voz

Quando enfim se cala.

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